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20 outubro 2011

... uns aos outros



"Não é bom que o homem esteja só", disse Deus quando contemplou por fim a sua criação, todas as coisas que havia criado eram boas até mesmo muito boas, mas algo ainda não estava perfeito, o homem estava sozinho e ele não foi feito pra viver sozinho. Esse texto tão conhecido nas reuniõesde casais tras em si um significado ainda mais profundo: o valor da sociedade. Com a criação da família criu Deus também a sociedade.

O fato obvio de que não é bom que o homem esteja só significa somente uma coisa, pessoas precisam de pessoas. E esse é também um reflexo da imagem e semelhança de Deus em nós, já que na santa Trindade habita a mais harmiosa sociedade. O surgimento das pequenas comunidades, as cidades até as grandes civilizações são o retrato exato deste fato. Desde criança nos relacionamos com nossos semelhantes, e cultivamos relacionamentos por toda a vida, e bem falou Jhon Donne "nenhum homem é uma ilha".

Relacionamento foi a palavra chave nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. Tome todos os verbos cristãos: amar, servir, exortar, orar, etc e acrescente "uns aos outros" e o que temos? O ideal bíblico de comunidade cristã. A multualidade, a via de mão dupla, o recíproco. É olhar para o outro enquanto ele olha por você. Não obstante, o abismo que separa o ideal e o real não é mais razo neste caso.

Ao invés de "olhar" uns para os outros, cada um tem apenas olhado para si mesmo, não atoa que Tiago compara aqueles que ouvem as palavras do Senhor e não as praticam ao homem que olha sua face no espelho (Tg. 1:23). Na sociedade egoísta (tremendo paradoxo!) em que vivemos cada qual cuida de seus próprios interesses, batalha unicamente pelo seu próprio futuro e não raramente "os fins justificam os meios". Em comunidade cada vez mais virtuais, relacionamentos cada vez mais artificiais são cultivados, amigos são cada vez mais raros; constroe-se mais paredes, menos pontes.

Entendo que isto aconteça no mundo, pois este jáz no malígno e não há nada mais maligno que o egoísmo, mas aqueles que professam o nome de Cristo tem de ser luz num mundo de trevas. E há algo interessante a respeito da luz, ela não tem razão para si mesma, senão para os outros, ele ilumina para que outros possam ver. Mas somente quando sairmos da frente do espelho poderemos ver claramente. Quando pararmos de olhar para nós mesmo veremos nossos irmãos e suas dores, veremos as mãos estendidas, os pés descalços, veremos as pessoas invisíveis das cidades. Quando deixarmos de seguir a nossoa própria sombra veremos os povos não alcançados e veremos nosso vizinho do lado.

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