Lembro-me, sem muita saudade, dos meus cinco longos anos de graduação; dia após dia me expremendo naqueles ônibus lotados, com o calor causticante do meio dia, um bando de alunos secundaristas fazendo arruaça nas últmas cadeiras, um velhinho passando com a sacola cheia de verdura e um par de galinha morta pindurada na mão, um cara alto de higiene duvidosa com o braço levantado bem no meu rosto (incoveniencias de ser baixinho rsrsrs), meu estômago dando voltas, a pressão despenando ladeira abaixo e um único pensamento de conforto "Só mais 20 min e isso vai acabar", muito embora a tarde tudo se repetisse na ida e na volta novamente e no dia seguinte, e no outro...
A cada parada um grupo descia, outro subia. Alguns com pressa, outros nem aí. Alguns educados cediam lugar aos mais velhos e gestantes e se ofereciam para segurar os livros de quem estava em pé, eram poucos, a maioria é mal educada mesmo. Mas não dá pra se chatear por muito tempo com essas pessoas, nem mesmo com o cara sem antetranspirante, elas eram passgeiras, desceriam mas cedo ou mais tarde em alguma parada, ou então desceria eu mesma e logo me livraria de todos eles de uma vez. Também nao dava pra ser grato por muito tempo, logo nao os veria e certamente nao iria retribuir o favor.
A vida é assim! Eu sei é um tanto deprimente e clastrofóbico comparar a vida ao 303. Mas a vida é assim. Haverá sempre muita gente a nossa volta, a maioria que nem nos conhece, podemos encontrar alguns amigos no caminhos, alguns descerão antes de nós, conheceremos pessoas legais e se tivermos sorte sentará alguém ao nosso lado com o mp3 do celular tocando a música que agente gosta. Encontraremos pessoas mal educadas e egoístas que vão pisar nosso pé sem a menos se desculpar. Encontraremos pessoas sujas e em algum momento o cheiro de galinha morta nos causará nauseas. Por uma parada ou duas talvés tenhamos sorte de passar um tempo sozinhos, até que sente alguem ao nosso lado e do nada comece a falar do tempo. Teremos a oportunidade de fazer o bem a alguma pessoa, teremos a chace de ceder ou não nosso lugar a uma pessoa idosa e de avisar a um deficiente visual quando chegou sua parada. teremos a oportunidade de compar jujuba só pra ajudar um pai de família. E em certas ocasiões seremos surpreendidos com a conversa alheia. Mas tudo isso não vai durar mais que 30 ou 35 min e finalmente desceremos desse ônibus.
Estamos de passagem neste mundo passageiro. Quais quer que sejam suas alegrias ou tristezas não vão durar para sempre. Esse ônibus não é um fim em si mesmo, tomamos o ônibus para ir para casa, mas ele não é não nossa casa, todavia se tomarmos o ônibus errado não vamos chegar ao destino certo. Nossa moroda eterna é no céu, neste mundo estaremos apenas pelo sopro de uma vida. Não vale apena se apegar ao acento deste ônibus porque ele não nos pertence, assim como nao vale a pena se apegar a nada nesta vida.Suportariamos melhor nossas dores e conteríamos melhor nossas ansiedades simplesmente sabendo que a vida é como um ônibus e tirando o motorista e o cobrador o resto é tudo passageiro.

Isso é verdade!!! Tanto a parte real do ônibus (ai como sofro =/ kkkk), como a comparação da história.
ResponderExcluirMuito bom o post!!!